terça-feira, outubro 17, 2006



A quarta…



Chegámos ao hotel no sábado pelas 15h00, foi só deixar as coisas no quarto e partir logo para o pavilhão Rosa Mota, onde se realizava a Feira da Maratona.
A feira estava impecável, a honrar o 50º aniversário do histórico pavilhão, tinha tudo o que deveria ter e ainda mais um stand com apoio psicológico ao corredor, algo muito apreciado por todos e ainda mais pelos que iriam enfrentar pela primeira vez a mítica distância. Aguentámos mais uma hora e tal até começar a “Festa da Massa”, a mesma correu bem, apesar da fila de espera, podíamos escolher entre esparguete ou fusili com carne picada ou almôndegas, sumo, água, cerveja, leite creme e café, portanto não havia desculpas para não deixar as baterias bem carregadas. O Benfica também me permitiu passar uma noite descansada, para variar.

Domingo, o despertador toca às 5h50, como umas barras energéticas e bebo um red bull depois fazer a “maquilhagem” e descer para o verdadeiro pequeno-almoço um pouco antes das 7h00, onde estivemos sentados junto aos gazelas quenianos que tomavam uns simples cereais. Fomos então levados de autocarro para a zona da partida.
E lá partimos… aquela subida foi realmente um belo aquecimento, depois seguimos na parte plana passámos o Bessa, sempre a descer passámos pela chegada (deu para ter uma ideia do preço a pagar daí a mais umas 3 horas…) até à beira rio quando ficámos sem a companhia dos atletas da meia seguimos rumo à alfandega e olhamos para o outro lado do Douro e apercebemo-nos que os primeiros já vão de regresso e com uma passada impressionante. O nosso ritmo mantinha-se dentro do previsto, ligeiramente abaixo dos 5:00/ Km, seguíamos num pelotão com dois elementos de uma equipa que tinha escrito no equipamento – TURBO LENTOS - fomos sempre juntos, mesmo quando passamos a meia em Massarelos onde existia grande apoio dos populares, passámos pela segunda vez a ponte D. Luiz e viramos à direita para retornarmos na Afurada onde um dos elementos do nosso grupo ainda dá um pezinho de dança com o rancho que aí estava… Km 30 ou um pouco antes chegou a hora... e eu digo ao meu companheiro Carlos para seguir, pois o meu ritmo teria que diminuir pois o muro estava aí e o meu parco treino teria que começar a pagar a factura, a minha logística também teve uma falha – não carreguei a bateria do GPS – tal como a minha, que também estava a acabar. Depois dos 35 Km, o meu cérebro conseguiu derrotar o meu físico passei do estado de corrida lenta para marcha (a qual na altura eu considerei “acelerada”), os companheiros que passavam por mim diziam: “não faça isso! Mais vale rolar”, eu ía marcando pontos de referência para começar a correr, depois andava mais um pouco, tenho a sensação que até ao abastecimento do Km 40 devo ter feito 500 / 500 em marcha / corrida, mas fiz questão de fazer aqueles 2,195 Km a correr… e lá passei a meta da minha quarta maratona em 3h43m, comi 3 peras rocha e bebi mais uma garrafas de água até que um pauzinho de bateria me permitiu ir até ao autocarro que no levaria de volta ao hotel para uma tarde de cama…

Balanço da Maratona do Porto, tudo muito positivo, as únicas coisas que tenho a apontar não têm nada a haver com a organização – pouco apoio do público (mal nacional) e o empedrado. Dou os meus parabéns a todos os que organizaram esta prova – nota-se que foi pensada por alguém que costuma andar lá no pelotão e sabe as necessidades e os “mimos” que os atletas gostam – a ideia que tenho para melhorar para o próximo ano é – em vez de dar uma segunda t-shirt igual quando se termina a prova, dar uma exclusiva (também do patrocinador) a dizer “EU TERMINEI A MARATONA DO PORTO”

Um abraço,

4 comentários:

Pedro Regueiras disse...

Olá sou um "cliente assiduo" do teu blog e também acho que esta maratona (a minha 1) estava fantastica em todos os aspectos mas aquele empedrado (ai meu deus) mas fora isso foi fantastico para o ano estarei la, quanto ao teu tempo esta um bocadinho em baixo de forma, a minha 1 maratona ficou pelas 3:25:13 nada mau para ser a 1 e cheguei com força.
Muitos parabens pelo blog.

Lénia disse...

Olá,
Parabéns pela tua participação. Representas mais um herói para mim, pois alguém que corre e termina uma maratona continua a ser uma criatura extraordinária, a meu ver. Numa prova deste calibre, acredito que o corpo não é a peça principal, a mente (lá para o kilómetro 30) deve começar a pregar partidas...pouco engraçadas...

Eu nunca passei das meias ( e com tempos deploráveis), snif, snif...
Muitas felicidades e que para o ano seja ainda melhor.
Lénia

NK disse...

Obrigado Lénia,

Fico muito lisonjeado pelo teu comentário… até corei :$
É claro que o muro prega partidas, principalmente a quem se balda nos treinos e não está devidamente motivado para uma prova que merece tanto respeito.
Não acredito que te preocupes com os teus tempos, pelo que já vi do teu blog, tu és mais corrida pela corrida.
Tens que começar a pensar na tua primeira, se puderes escolhe uma no estrangeiro, aí podes juntar o útil ao agradável, e dá um gozo enorme correr outros 35 mil e muitos mais a assistir e a apoiar.
Eu corro há 2 anos e quando comecei, passadas 2 semanas já estava a escolher onde seria a estreia… para o ano vai ser Roma!
Nuno

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Parabéns pela Quarta! (por acaso também foi a minha quarta...)

Só o facto de te aventurares nela e de a venceres (terminar) é já razão para te dar os Parabéns!

Tenta aprender com o que te aconteceu (por muita teoria e até prática que tenhamos, numa maratona tudo pode acontecer, não é?)

Continuação de boas corridas (treinos ou provas) e até um dia destes

Ana Pereira