Mostrar mensagens com a etiqueta ultra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ultra. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 19, 2022

12 horas nas 24h a correr de Mem Martins

As minhas primeiras 12 horas do domingo dia 10 de Abril, foram passadas a correr. Com partida às 00h00 e final ao meio-dia. Realizou-se no parque da bacia de retenção do Algueirão, como tem sido hábito, dado que esta já foi a 3ª edição.

Tal como referi no meu último post, esta prova foi o meu principal focos desde o início de 2022, fui aumentando a quilometragem e tive umas 3 semanas com cerca de 100 km, o longão maior foi cerca de 35 km. Como qualidade, fiz uns "tempo runs" de 4 X 10 min e outros de 2 X 5 Km e os restantes treinos eram de cerca de 12 km.

Como nutrição, a minha estratégia para 2020 ainda estava no prazo por isso mantive a estratégia de cerca de 200 cal. por hora com maltodextrina sem sabor diluída em água, e acredito que resultou, para uma prova em circuito e de longa duração, o ter que fazer "pit stops" regulares no WC não fará grande mossa.

A organização, 5 estrelas como sempre, nada a apontar, o circuito este ano estava muito melhor com mais alcatrão e com menos corta-mato (apenas cerca de 20 metros por volta), cada passagem eram cerca de 1700 metros, desagradável e com cuidados acrescidos é sempre a passagem pelo passadiço de madeira.

A minha prova correu bem, consegui manter um ritmo constante para fazer cerca de 10 km / hora, é claro que com o desgaste e as paragens, este ritmo foi a diminuir. Mas sinto que as primeiras 6 horas tive bastante bem, apesar de logo na primeira hora ficar com algum desconforto num músculo femoral da perna direita, nada que tenha sentido em algum treino. Em cima da hora, e após olhar bem para o percurso quando fui buscar o dorsal, já com as 24 horas a decorrer, optei por usar os Asics Glideride, o que penso que foi uma óptima opção, pois deram-me muito mais conforto durante toda a prova. Nas últimas duas horas, confesso que estava algo farto, e já não tinha grande motivação para correr, mas esforcei-me sempre por pelo menos continuar a caminhar, tive sempre a sensação que se arrefecesse, as pernas iriam bloquear e depois é que não dava mais. 

No final, no meu relógio deu um pouco acima dos 93 km (eu tinha o objectivo secreto dos 100) e a classificação oficial deu cerca de 89 km.

Acabei em 4º da geral e em 2º do meu escalão de 50+. Deixo aqui o registo da prova no strava:

As fotos que coloco aqui estão com o autor identificado, aos quais agradeço.

Ainda tenho as pernas algo amassadas, mas já estou em preparação para a meia da ponte 25 de Abril em 8 de Maio.

Abraços e boas corridas,



 

quarta-feira, outubro 23, 2019

Trail Abrantes 100



Pois é, passei o verão a preparar a minha primeira prova com três dígitos de distância e no sábado passado lá acabei com ela.

O treino:
Quem costuma andar por este blog sabe que já ando nestas coisas da corrida há mais de 15 anos, mas nos últimos 10 tenho andado em velocidade de cruzeiro sem fazer nenhum treino específico, escrevi muitas vezes que me faltava o treino de qualidade mas nada fiz para mudar... o ano passado fiquei feito num 8 com a minha primeira ultra 50k em Grândola, e mesmo no inicio deste ano as finalizações das provas com maior dificuldade não foram bonitas.
Nos meus longões gosto muito de ouvir podcasts, e acho que foi num do Billy Yang que o Jason Koop esteve a falar no seu livro "Training Essencials for Ultrarunning", gostei dos princípios gerais e pelas criticas na Amazon, não era excessivamente técnico e apontado às grandes performances. Então juntei mais este à minha colecção de livros de treino de corrida e fiz a minha leitura, tirei os meus apontamentos, adaptei ao que eu me conheço.

O que eu gostei e aproveitei - o treino ser baseado em duração semanal (aqui adaptamos a elevação conforme a prova para a qual treinamos), não ter longões exagerados mas sim dois longões seguidos (3h ao sábado e 3h horas ao domingo, por ex. - o tempo de recuperação é mais reduzido e há menos risco de lesões), muita valorização das séries, num primeiro ciclo mais rápidas e curtas e no restante plano, mais longas (um dos treinos essenciais é o tempo running, mas em séries ex. 6 X 8 min (ritmo de 10K) com 4 min a trote) muito mais rentável que o treino que fazia antes de 25 a 30 min a ritmo de 10K. Também fiz bastantes Steady State Runs ex. 3 X 25 min a ritmo de meia maratona com 3 minutos a trote.
O que ainda não posso dizer que me adaptei  - foi o treino baseado na escala de percepção de esforço - RPE -  (que agora até aparece nas actividades do strava) em que 1 é pouco esforço e 10 o máximo esforço.  Acho uma boa ideia, mas para mim como corredor de estrada acabo sempre por me basear em ritmos por km.
Também retirei algumas ideias sobre nutrição, mas nada de muito relevante, apenas o facto de  ter que meter com 200 kcal por hora durante a prova.

A prova:
Cheguei por volta das 20:00h à Cidade Desportiva de Abrantes, onde estava o secretariado e seria a meta. Levantei o meu dorsal e deixei o saco para a base dos 50km - tinha uns ténis, meias, camisola,  3 buffs, vaselina, alguma fita, toalha, um frontal mais leve e reforço de abastecimento. Depois fui para o carro ouvir o relato do Cova da Piedade vs SLB mas a emoção não me deixava descansar e mudei para a Antena 2 e fechei os olhos, preparei um despertador para as 22:30h, acabei de me equipar e preparar o material na mochila fui dar uma passagem pelo WC e depois aguardar pelo autocarro que nos levaria à partida no centro da cidade.
Já no local de partida foi aguardar pela 01:00h, foi havendo alguma animação com musica e ficámos a saber que só para o 100km seriam cerca de 280 participantes, mais as estafetas de 4 e de 2 e seriam quase 300 à partida. Quando nos dizem para entrar para o local de partida, pensei que iriam verificar o material obrigatório, mas não, apenas apontaram o número do dorsal e siga. O speaker Hugo Água foi animando o pessoal até chegar a hora H.
A partida foi calma, eu também estava descontraído apesar da monstruosidade da distância e da hora tardia, meti o meu ritmo e a minha disciplina - subir a passo e trote em plano e nas descidas. Não parei no primeiro abastecimento aos 7km, continuei sempre com a minha estratégia de ritmo e de nutrição - a cada hora de prova tomar 200kcal (dois geis da prozis e na hora seguinte uma salt bar da gold nutrition, sempre intercalando), nas inclinações mais prolongadas pareceu-me sentir os tendões dos gémeos a queixarem-se, mas deve ter sido porque ainda não estavam quentes e por terem tido uma semana calminha demais. A partir do abastecimento 2, aos 19 km, era obrigatória a passagem para controle do chip e de passagem, o que fiz neste foi igual a todos excepto o dos 50km - atestar a água e beber dois copos de coca-cola, sendo o segundo já em andamento.
A noite passou bem, não tive problemas nenhuns, nem grandes tropeções nem situações digestivas. Cheguei à base de vida dos 50km por volta das 07:30h e estive cerca de 20 minutos a trocar de calçado e de camisola, reforçar a vaselina e para variar um pouco a nutrição, tomei um batido de proteína que tinha preparado no saco e segui viagem. O plano era a partir da segunda metade variar um pouco mais a alimentação para não saturar o sistema de gel e barras, para além do batido de proteína preparei duas sandes de manteiga de amendoim  para as horas seguintes, o problema foi que quando tentei comer, parecia-me palha, mastigava, mastigava mas mal conseguia engolir, pensei - "o senhor estômago deve estar farto disto e não lhe apetece trabalhar mais", a segunda sandes já só fiz uma tentativa e desisti, fui bebendo água. No abastecimento dos 64km sentei-me à sombra da oliveira centenária a beber uma bebida energética que levava preparada na mochila, desceu bem e segui caminho. Não sentia vontade nenhuma de consumir bebidas quentes ou sopa, tinha receio que me fizesse ainda pior, e fui continuando sempre com os dois copos de coca-cola em todos os abastecimentos até ao final.
A partir da base de vida dos 75km, a chuva começou a ser bastante, mas como a temperatura estava amena, deixei-me estar de manga curta. O pior foi a lama que se foi criando, a terra estava sedenta de água e formou logo grandes camada de barro escorregadio, estava todo contente num estradão a descer entre vinhas e era impossível correr, talvez patinar ou esquiar, mas correr não... a progressão aqui reduziu bastante, mas fui sempre progredindo. Penso que foi por volta dos 80 km que andámos junto a um rio numas passagem muito delicadas em xisto, onde havia uma corda para descer e tudo, aí a progressão também era bastante lenta com receio de queda ou esticar algum tendão mais do que devia. As pernas estavam bem e a cabeça também não tinha ideias tristes.
A passagem pelo abastecimento dos 90km foi como as outras a sair com o copo de coca-cola e já faltava tão pouco, só apetecia que fosse sempre a descer com um pendente suave mas a descer, mas tenho a sensação que a maior parte desses 10km foram a subir, mas sem desesperos, é fazer a subida e é como diz a frase do Gabriel Garcia Marquez "... a verdadeira felicidade está na forma de subir..." e está mesmo do outro lado, chama-se descida e km a menos, depois entrado em zona citadina consegui sempre meter um trote bastante agradável. Quando se começam a ver as torres do estádio, ainda protestei por causa da subida que teria que fazer, mas passou rápido, entrei na pista e estava mesmo feliz por ter terminado com boas sensações e com um tempo bastante bom para uns primeiros 100km - 15horas e 54minutos, 6º no escalão V50 e 87º na geral em 208 chegados. Muito Bom!

As conclusões:
O meu mantra foi: "queres parar? vais ter que acabar!"
Fazer 12 semanas com uma média semanal de 90km, 10 horas e com 1300m+, compensa e faz com que se acabe uma prova destas com um sorriso nos lábios.
Apesar do Filipe Torres (o percurso é diferente mas ainda li uma meia dúzia de vezes o texto do ano passado) achar que a prova de Abrantes não tem subidas, 3000m+ são 3000m+, sei que em Portugal deve ser a mais acessível, mas estive a consultar as minhas notas e por exemplo a grande clássica de Ronda, em Espanha, tem menos altimetria e 16 horas lá é um bom tempo.
Tenho que fazer uma vénia a todos os voluntários e bombeiros que estão durante toda a duração da prova a apoiar nos bastecimentos e pontos críticos e perigosos.
Os abastecimentos estavam mesmo completos, e assim eu fui aproveitando para passar umas dezenas de participantes que iam ficando nos buffets. Não sei se o café expresso era pago ou se a cerveja era paga. Sei que vi termos com café de saco e companheiros de corrida a beber cerveja.
Seria bom que o material obrigatório tivesse uma razão de ser, mesmo não sendo verificado, tinha lá bem clara a nota que não havia copos, e o abastecimento estava cheio de copos de plástico, por acaso não vi nenhum pelo caminho, apenas uma embalagem de gel vazia que recolhi para o meu saco de lixo.
As marcações estavam bem feitas, as vezes que me enganei foi mesmo por distracção.
Tenho pena de não ter uma medalha para recordar este feito, a pala de finisher é uma boa intenção mas podia ser um complemento.

A recuperação foi rápida, apesar de no domingo parecer um desgraçado que para andar tinha que se apoiar nas paredes, na segunda-feira já não tinha dores e terça-feira já estava totalmente recuperado.
E não é que já estou a pensar na próxima...

Aqui fica a minha análise (review) da prova:

Pontos Positivos:

- Boa organização
- Bom apoio logistico
- Percurso sem invenções
- Bons abastecimentos
- Muitos participantes

Pontos Negativos:

- Faltou a medalha
- Faltou verificar o material obrigatório

O registo no strava:



Abraços e boas corridas!

terça-feira, junho 04, 2019

Ultra Trail de Sesimbra

No passado domingo terminei o meu primeiro semestre em termos de provas.
Fui fazer mais uma ultra para o meu curriculum. Aparentemente seria de “apenas” 43 km mas a mim deu mais de 45 km, escolhi uma prova já com nome no calendário e bem cotada – o Ultra Trail de Sesimbra – organizada pelos “dinossauros” o Mundo da Corrida e a minha primeira prova do calendário nacional da ATRP.
Estava previsto um dia de imenso calor, acima dos 35 graus, aquela zona também não me parecia ter muita floresta ou sombra, como tal, optei por um chapéu com bastante sombra e por não levar bastões para estar mais liberto para hidratar… O meu pessoal montou acampamento ali na praia e lá ficaram até ao meu regresso, passadas muitas horas.
A partida da ultra foi dada às 8:00 e eram cerca de 200 participantes, fizemos a marginal da praia a ritmo controlado por um jipe da organização até chegarmos ao estradão em direcção da praia da ribeira do cavalo, um dos ex libris da prova, uma bela paisagem, uma subida bastante inclinada e muitas fotografias (acima a foto é do Fotos do Zé), tudo sempre sem stresses e nas calmas. 
Depois é ir sempre pela costa por estradão e por trilho até às ruinas do Forte de São Domingos da Baralha, mais uma subidita e depois sempre a rolar até ao santuário do Cabo Espichel depois continuamos pela costa  e nesse percurso  cerca dos 21 km (onde ia sozinho) falharam-me as fitas e quando dei por mim deixei de ver pegadas e tive que voltar atrás (pelas minhas contas foram uns 500m ida e volta), pelo que vi da classificação dos pontos cronometrados, andei sempre pelos mesmos lugares, muito conservador por causa do calor  e porque não conhecia a prova. 
Forte da Baralha - flickr

Na zona da praia da foz, deixamos de ter o pouco fresco do mar e entramos numa zona muito seca e árida, ia perto de um grupo de 4 ou 5 participantes, mas mesmo nas zonas “corríveis” já estávamos de tal forma cozinhados pelo calor que não dava para correr durante grandes períodos e a coisa acaba por ser contagiante entre o pequeno grupo. Aos 32 km chega a parte mais desmotivante de toda a prova – a pedreira – em qualquer prova ou em qualquer dia seria algo dispensável, mas com o calor que estava, até o abastecimento parecia que tinha estado na guerra, só destroços e ninguém muito prestável para ajudar. Lá segui e ainda deu para ganhar alguns lugares, depois de passada a pedreira temos uns km a descer para recuperar o ritmo e refrescar com o vento até à subida para o castelo, foi cerca de meia hora para fazer 1600 metros, eram cerca das 14h00 e a temperatura estava no seu auge, a média de inclinação é de 10% mas os tendões já estavam no limite quando se esticava mais a perna. Os 7 km que faltavam até à meta foram também lentos, mais pelo desgaste acumulado do que pelo perfil, a descida também era demasiado técnica e ainda foi mais lenta que a caminhada até lá chegar. Quando finalmente cruzei a meta, após 7h33m de prova, estavam a ser as cerimónias de entrega de prémios, o amigo Orlando Duarte estava dedicado a tirar-nos fotos e o moço das medalhas também foi simpático a dar animo, o pessoal do abastecimento final é que já devia estar farto daquilo e não me ligaram (quase) nenhuma… 


Com muita dificuldade, lá tirei as meias e o resto do equipamento e juntei-me ao meu acampamento para dar dois saborosos mergulhos e esperar que as cãibras acalmassem para poder conduzir. 
Agora vou ter uns dias de descanso e de planificação da segunda metade de 2019.

Aqui fica a minha análise (review) da prova:

Pontos Positivos:
  • Inicio de percurso muito cénico
  • Bons abastecimentos e muitos
  • Bastantes participantes
  • Bonita medalha
  • Boa zona de partida / meta 
Pontos Negativos:
  • Marcação podia estar melhor
  • Zona da pedreira seria de evitar

O meu registo no strava:

Boas corridas!

segunda-feira, abril 29, 2019

6 horas nas 24 horas a correr em Mem Martins

Ontem bati o meu record de distância percorrida - 53,5 Km.
Estive presente, mais uma vez, nas 24h a Correr de Mem Martins, aqui bem pertinho de casa. A edição do ano passado tinha sido em Outubro e eu participei nas 3 horas pois tinha a maratona no domingo seguinte.
Desta vez estava inscrito nas 6 horas e era a prova pico do primeiro semestre do ano. O mais engraçado é que durante a passada semana recebi um mail com o meu número de dorsal na Eco Maratona de Lisboa (tinha feito uma inscrição low-cost logo em Junho) e nem estava a contar com tal prova no meu calendário, assim, a história vai ser semelhante desta vez.


Relativamente à minha prova; tinha feito há duas semanas um treino de quatro horas em circuito desafiante psicologicamente (voltas de 1 km com passagem em casa a cada hora para abastecimento), fiz um pouco mais de 40 km e testei a nutrição a usar na prova - a cada 60 minutos, cerca de 200 calorias de palatinose em garrafas de 33cl  de água e um bom copo de ginger-ale para dar gás, a meio tomei um reforço de electrólitos em cápsula -  e este treino correu muito bem, em termos de ritmo e até na recuperação pós prova. Assim, ontem, usei a mesma estratégia, levei um saco com o material, que deixei numa das tendas de apoio. Na prova das seis horas acho que não chegávamos a 15 participantes, eu optei por usar frontal na primeira hora (a partida foi às 6:00) apesar do caminho estar iluminado, era preciso ver os pormenores na parte mais "trail" do percurso (cada volta tinha cerca de 2,1 km em trilho, alcatrão, terra batida e passadiço de madeira), coloquei-me logo nos primeiros 5 e aí fiquei até ao fim. Na primeira paragem, tirei o frontal e coloquei os fones para me ir entretendo com uns podcasts. Durante a segunda hora de prova tropecei num tronco e fui ao chão com aparato e fiquei com algumas marcas, principalmente na cana do nariz (as fotos não o testemunham) e hoje estou com algumas dores nos braços. A partir das 10:00 com 4 horas de prova o sol estava já todo a descoberto e o calor começava a apertar, estava muito alerta para o ritmo cardíaco e fui reduzindo a minha cadência, passei a fazer a parte mais a subir a caminhar, a maratona foi feita cerca das 4h30m  e entretanto a minha claque já lá estava a apoiar, o tempo passou depressa mas a temperatura só deu para fazer mais cerca de 11km nessa 1h30m que faltava. Durante a prova pareceu-me ver uma cara conhecida - era o António Almeida - outro veterano dos blogs que eu já não via há uns bons anos, ainda trocámos uma frases durante a minha fase de caminhada. Quase consegui dar uma última volta inteiramente a correr, mas faltaram-me cerca de 200m. No meu relógio marcou 53,5 km a maior distância que já fiz desde que pratico corrida.
Depois, foi esperar pelos resultados - fiquei em 4º na geral e em 1º lugar no escalão M40/49 (a poucos dias de deixar de pertencer a essa faixa etária), mais uma subida ao pódio, desta vez para o lugar mais alto.


No próximo ano gostaria de fazer as 12 horas, vamos ver...

As fotos são de Orlando Duarte (Obrigado!)

Deixo aqui a minha análise review desta prova:
- toda a organização
- logistica
- kit de participante
- abastecimentos


Pontos Negativos:
- a única nota continua a ser o passadiço de madeira, foi arranjado mas ainda deu para tropeçar umas duas vezes

O meu registo no strava:

 Boas corridas!

segunda-feira, novembro 05, 2018

Ultra Trail Serra de Grândola

aqui ainda levantava os pés

Tinha como objectivo para 2018 fazer a minha primeira ultra, era para ter sido logo em Fevereiro, nas terras de Sicó, mas por motivos de saúde, tal não foi possível. Entretanto os planos para voltar à maratona do Porto tiveram que ser alterados, ao pesquisar nos calendários surgiu-me esta ultra na "terra da fraternidade", são 50k com 2600m de desnível positivo (como se eu soubesse o que é isso).
sim, finisher!

Eu encaro as provas de trail de uma forma diferente da estrada, vou lá para desfrutar sem estar preso a ritmos ou tempos, apenas fui pesquisar as poucas provas que tenho no meu curriculum para ter ideia de um tempo previsto de chegada. Em termos de treino, eu não faço nada de especifico de trail, moro ao lado da serra de Sintra, faço as minha passagens por estradas e estradões, mas como ando sozinho não arrisco a ir para trilhos, (o meu relógio não dá para colocar as rotas) e há sempre tráfego de btt, toda essa falta de treino especifico vai pagar-se caro quando a coisa é a sério.
picos e mais picos, parece um pente!

os tais que não estavam à espera daquilo!

Relativamente à minha prova, devíamos ser cerca de 40, partida às 8:00 verificações de material feitas, lá fui a um ritmo moderado, nas primeiras subidas meto passo, passam uns tantos por mim, o Tiago Dionísio, dois senhores a dizerem que vão à via Algarviana e eu mantenho o meu ritmo, são 50Km e ainda agora passei os 5km, uma senhora passa por mim, eu depois passo por ela na descida, mas na subida seguinte ela passa por mim... a partir desse momento nunca mais vi ninguém da minha prova até 500 metros da meta (afinal ia um moço à minha frente e a pouca distancia) ,só tive companhia numa subida onde havia um cruzamento com atletas da prova de 25km, depois só falava comigo (e que mal que eu falava) e com os voluntários dos abastecimentos (excepto no abastecimento dos 26,5 km que me senti como invisível, com tanta gente a quadrilhar, tive que ser eu a encher as minhas garrafas e nem sequer ouvi uma palavra de incentivo). Foi mais ou menos por essa altura que a tal falta de treino especifico se fez sentir nos biceps femurais (ver imagem), na subida de um dos picos que podem ver na imagem do perfil, senti um nó na parte posterior da coxa direita, paro, respiro dou mais uns passos e igual na esquerda... tive que subir aquelas paredes com um "passito a passito" mais curto, estava convencido que só iria sofrer  nas subidas mas enganei-me, as descidas ainda eram mais assustadoras pois o músculo também prendia, restavam-me as partes corríveis (como se pode ver no perfil não são muitas) e mesmo aí não deu, tive que fazer a segunda metade em "power hike" e os km a custarem cada vez mais a passar, quando estou num "delta" olho para o lado e vejo as paredes que ainda tenho que escalar, algumas com ajuda de cordas, e pergunto-me "será que é preciso sofrer tanto para fazer uns míseros 50km?", "levantar às 4h30, fazer 1h30 de viagem, andar durante mais de 8 horas a fazer "marcor", voltar de noite para casa?".
parecem mesmo as rampas do bucket brigade da Spartan Race

Sim, também tivemos que baixar a bolinha

Custou-me tanto a passar aqueles marcos, pequenos objectivos como a distância da maratona - passada com sacrifício e a subir mais um pico com cerca de 7 horas de prova. Às 3:35 (tempo que fiz em Lisboa) estava nos 23 km. Depois dos 45, aquele ponto em que seria a rolar até à metae que nunca mais chegava... ainda passei por alguns picos aos quais chamei todos os nomes que me vieram à cabeça.

Hoje ainda estou todo rebentado, e desço escadas com muita dificuldade, sento-me com muita dificuldade (as minhas filhas dizem que pareço um velhote daqueles que usam bengala), tenho vontade de nem sequer pensar numa aventura parecida nos tempos mais próximos. É claro que ontem, quando estava sózinho na serra pensei na dureza que será fazer o mesmo desnível mas em altitude, pensei no que será fazer uma MIUT ou um UTMB, mas também pensei em Spartan Race só que em vez de estar a subir e descer com um balde de gravilha,  estava a subir e descer com dois cepos nem forma de pernas ;)

Bom, agora já sou ultra, e até ao fim do ano só tenho planeada a meia dos Descobrimentos e depois logo se verá.

Aqui fica a minha análise (review) da prova:

Pontos Positivos:
  • preço muito acessível
  • saco de presença bastante recheado
  • desafio constante
  • marcações sem falhas
  • Abastecimentos com bastante oferta
  • duche no final
Pontos Negativos:
  • poucos abastecimentos, não pela distância entre eles mas pela duração.
O meu registo no Strava:

Boas corridas!