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"Não importa o quão devagar vais, estás sempre a ultrapassar aqueles que não tentam." David Goggins
Realista porque foram 14 semanas de treino com 1000 km, compostas de muita subida à serra de Sintra, de repetições de rampas, alguns intervalos ritmados, algumas semanas acima dos 90 km.
Sonhado porque desde a Maratona de Londres em 13 de Abril de 2008 (nem o Strava existia), que não fazia um tempo abaixo das 3h30m. Tive uma fase depois dessa maratona em que os objectivos eram cumprir a distância sem stresses e dores e por coincidência, para esta prova lembrei-me de usar a camisola dos “Marathon Maniacs” - para se conseguir ser membro “bronze” e obter aquela camisola era necessário ter 2 maratonas em 3 semanas e 3 maratonas em 3 meses e eu cumpri os critérios com a Maratona de Sevilha em Fevereiro, Maratona de Madrid em Abril e a Gold Marathon “Carlos Lopes” Lisboa em Maio tudo em 2009 - isso na tal fase que referi acima.
Inesperado porque as condições não iam ser as ideais, calor, uma alteração de horário de partida na véspera (passou das 8h00 para as 7h00) a reduzir as horas de sono, o factor do ano passado em que a parte mental deu o estouro.
Despertador às 3h30, não moro muito longe de Lisboa, mas gosto de ter tempo para esticar as pernas e fazer os meus rituais, às 4h30 lá fui de carro para o meu local de estacionamento habitual, perto da chegada e perto do Cais do Sodré. Apanhar o comboio que ia bem cheio chegar ao local da partida, dar os toques de “maquilhagem” final, entregar a mochila e ir para o local de partida.
Os primeiros 5K são sempre feitos em modo de aquecimento, sem baixar das 5:15/km, ainda fui um pouco à conversa com o grande Fernando Andrade que já vai das 70 e tais maratonas. Depois dos 5K começo à procura do ritmo que queria, ali por volta das 4:50/km, é uma parte que até tem umas descidas na baía de Cascais e algum apoio dos espectadores. Em termos de gestão do calor, a estratégia é simples, despejar quase a garrafa inteira na cabeça, e às vezes duas garrafas. Em termos de reforço calórico, desta vez experimentei umas barras tipo goma da Gold Nutrition, aos 10K, 20K e 30K e levei também uma cápsula de electrólitos que tomei aos 25K.
Antes da meia-maratona já tinha passado a lebre das 3h30m (ainda pensei ficar ali abrigado no comboio), como me sentia bem segui ao meu ritmo, se mais tarde eles me passassem, tentaria ficar com eles.
Consegui manter o meu ritmo até cerca dos 32K, depois baixou um pouco, mas mesmo por fadiga natural, nada de dores ou pensamentos negativos, mesmo assim dentro dos 5:05/km, quando viro para o arco da Rua Augusta e vejo que vou conseguir, fiquei super satisfeito por conseguir um tempo destes aos 54 anos.
Tenho que deixar aqui uma nota para a arma secreta que foram os ténis Saucony Endorphin Pro 3, pela primeira vez uma prova com placa de carbono e realmente fazem bastante diferença, facilitando muito a cadência elevada. Mas há de aparecer por aqui alguma coisa só sobre eles.
Fica aqui a minha prova no Strava:
Abraços e boas corridas!
No passado dia 9 de Outubro completei a minha 24ª maratona. Foi na Maratona de Lisboa, as sensações na parte final não foram as melhores, mas o importante é que está terminada e está "colocada mais uma estrela no cinto".
O treino foi iniciado em meados de Julho e o objectivo era fazer algo mais rápido, talvez a pontar para abaixo das 3h30m, lá fui cumprindo o meu plano, mas havia algo que nas sessões mais exigentes em termos de ritmo, não estava a chegar. O corpo estava a mais lento, não sei se por causa do covid (foi no inicio de junho), se por outra causa qualquer, mas todos os sinais indicavam para mais lentidão. Em vez de ajustar logo, fui sempre acreditando que mais perto da data a adrenalina iria ajudar, mesmo assim, apontei para 3h40m.
Vejam aqui o resumo no strava:
Abraços e boas corridas
As minhas primeiras 12 horas do domingo dia 10 de Abril, foram passadas a correr. Com partida às 00h00 e final ao meio-dia. Realizou-se no parque da bacia de retenção do Algueirão, como tem sido hábito, dado que esta já foi a 3ª edição.
Tal como referi no meu último post, esta prova foi o meu principal focos desde o início de 2022, fui aumentando a quilometragem e tive umas 3 semanas com cerca de 100 km, o longão maior foi cerca de 35 km. Como qualidade, fiz uns "tempo runs" de 4 X 10 min e outros de 2 X 5 Km e os restantes treinos eram de cerca de 12 km.
Como nutrição, a minha estratégia para 2020 ainda estava no prazo por isso mantive a estratégia de cerca de 200 cal. por hora com maltodextrina sem sabor diluída em água, e acredito que resultou, para uma prova em circuito e de longa duração, o ter que fazer "pit stops" regulares no WC não fará grande mossa.
A organização, 5 estrelas como sempre, nada a apontar, o circuito este ano estava muito melhor com mais alcatrão e com menos corta-mato (apenas cerca de 20 metros por volta), cada passagem eram cerca de 1700 metros, desagradável e com cuidados acrescidos é sempre a passagem pelo passadiço de madeira.
A minha prova correu bem, consegui manter um ritmo constante para fazer cerca de 10 km / hora, é claro que com o desgaste e as paragens, este ritmo foi a diminuir. Mas sinto que as primeiras 6 horas tive bastante bem, apesar de logo na primeira hora ficar com algum desconforto num músculo femoral da perna direita, nada que tenha sentido em algum treino. Em cima da hora, e após olhar bem para o percurso quando fui buscar o dorsal, já com as 24 horas a decorrer, optei por usar os Asics Glideride, o que penso que foi uma óptima opção, pois deram-me muito mais conforto durante toda a prova. Nas últimas duas horas, confesso que estava algo farto, e já não tinha grande motivação para correr, mas esforcei-me sempre por pelo menos continuar a caminhar, tive sempre a sensação que se arrefecesse, as pernas iriam bloquear e depois é que não dava mais.
No final, no meu relógio deu um pouco acima dos 93 km (eu tinha o objectivo secreto dos 100) e a classificação oficial deu cerca de 89 km.
Acabei em 4º da geral e em 2º do meu escalão de 50+. Deixo aqui o registo da prova no strava:
As fotos que coloco aqui estão com o autor identificado, aos quais agradeço.
Ainda tenho as pernas algo amassadas, mas já estou em preparação para a meia da ponte 25 de Abril em 8 de Maio.
Abraços e boas corridas,
No passado domingo, dia 17, completei a minha 22ª maratona ou ultra, se formos restritos à distância da maratona, são já 18.
Comecei a treinar em meados de Agosto, fazendo apenas 8 semanas até à prova, sendo que até esse início não estava parado. Tive duas provas de 10K que relatei por aqui, a prova da FPA e o Memorial Francisco Lázaro, deram sinais para ser realista como tempo a fazer na prova alvo, bem como os treinos de velocidade que mostravam que a máquina estava num modo mais conservador. Fiz dois longões de 32 km e apostei numa quilometragem semanal, bastante elevada, a rondar os 90 km com as semanas das tais provas para reduzir um pouco. Na semana do 5 de Outubro fiz dois treinos de 21 km, com a parte final a ritmo de maratona e estava feito o treino. Na semana de "tapering" foi só rolar três vezes 30 minutos e já estávamos de regresso à prova rainha.
Fui buscar o dorsal logo na 5ª feira à hora de almoço, não sei se chegou a haver expositores, mas quando eu lá estive, só tinha os balcões para entregar os dorsais e as t-shirts, da maratona e da meia.
No domingo, o despertador toca às 4:30 (!!!???) para ir passear o canito e fazer uma digestão em movimento do ligeiro pequeno-almoço, depois por volta das 5:00 arrancar para Lisboa e deixar o carro no sítio do costume, em frente ao teatro S. Luís no Chiado, descer a Rua do Alecrim e apanhar o comboio das 6:00 para Cascais. Já ia bastante cheio de corredores, ouviam-se sotaques americanos, alemães, franceses, ingleses, espanhóis, português do Brasil e claro os de Portugal, a Rua "direita" de Cascais estava repleta de gente. No local de partida ainda se davam os últimos toques na logística e faziam-se os últimos testes de som.
Quando dava os meus últimos toques na "maquilhagem", vem um simpático maratonista ter comigo e pergunta se eu sou o Nuno Cabeça, que mesmo com a máscara reconheceu-me e é seguidor do blog há muito tempo - vim depois a pesquisar ser o amigo João Ricardo, que por vezes aqui comenta e disse-me para postar mais vezes... falámos sobre o tempo alvo e desejámos boas provas.
Depois segui para o bloco de sub 4horas, aguardamos um pouco e é dada a partida. Objectivo dos primeiros 5K, ir bastante lento e não entrar em entusiasmos, até deixei o "balão" das 4h ganhar muito avanço, o Álvaro Pinto passa por mim e dá-me força, e eu digo que os motores ainda estão a aquecer. O dia estava perfeito para correr a maratona neste percurso, tempo encoberto, mesmo nevoeiro com alguma chuva miudinha, e sem vento, até na zona do Guincho famosa por ele. Após passar os 5K começo a aumentar mais o ritmo, passo o tal "balão", passo o Tigre, o Álvaro, depois dos 10K, tomo o meu primeiro gel, e lá vamos pela marginal, cerca dos 17 km em S. Pedro do Estoril estava o Bento, de bicicleta e a tentar furar os bloqueios e ainda demos uns dedos de conversa e ele bastante apoio, passámos a meia-maratona, eu tomei o meu segundo gel e o Bento ficou logo a seguir a Carcavelos. Eu vou a seguir a minha margem de ritmos, passamos no passeio marítimo entre Caxias e a Cruz Quebrada e após a passagem no túnel debaixo do caminho de ferro, sentiu-se a primeira zona de verdadeiro apoio, com muita gente a gritar e a aplaudir. Eu durante toda a prova fui a tentar agradecer todo o apoio que nos era dado, e muitas caras iam-se a repetir ao longo do percurso. Após tomar o meu último gel e passar a marca dos 32 km, tenho "ordens" para "soltar os cavalos" e ver o que dá... começo a passar pessoal que bateu em muros, que levou com a marreta do homem. Durante a prova vi muitos estrangeiros de muitas nacionalidades, tal como verifiquei no comboio, mas acho que havia um grande contingente da Dinamarca. Na Av. 24 de Julho ainda passei pelo amigo João Ricardo, pedi desculpa por não o acompanhar para tinha que manter as "rotações" no mesmo nível, as pernas é claro que já sentiam os quilómetros, mas como podem ver na imagem abaixo, foi uma prova em crescendo, o que numa maratona é sempre saboroso. Após o "pavet" da Av. Ribeira das Naus, e já na Praça do Comércio, sente-se o apoio do muito público e após passar pelo Arco da Rua Augusta alcançamos o Triunfo de mais uma maratona concluída, sempre a aumentar o ritmo e com boas sensações.
Depois foi recuperar, almoçar e dormir uma boa sesta, e ficar a pensar quando vai ser a próxima.
Aqui fica o registo do Strava.
Abraços e boas Corridas!
