quarta-feira, outubro 20, 2021

Maratona de Lisboa

No passado domingo, dia 17, completei a minha 22ª maratona ou ultra, se formos restritos à distância da maratona, são já 18.

Comecei a treinar em meados de Agosto, fazendo apenas 8 semanas até à prova, sendo que até esse inicio não estava parado. Tive duas provas de 10K que relatei por aqui, a prova da FPA e o Memorial Francisco Lázaro, deram sinais para ser realista em termos tempo a fazer na prova alvo, bem como os treinos de velocidade que mostravam que a máquina estava num modo mais conservador. Fiz dois longões de 32 km e apostei numa quilometragem semanal, bastante elevada, a rondar os 90 km com as semanas das tais provas para reduzir um pouco. Na semana do 5 de Outubro fiz dois treinos de 21 km, com a parte final a ritmo de maratona e estava feito o treino. Na semana de "tapering" foi só rolar três vezes 30 minutos e já estávamos de regresso à prova rainha.

Fui buscar o dorsal logo na 5ª feira à hora de almoço, não sei se chegou a haver expositores, mas quando eu lá estive, só tinha os balcões para entregar os dorsais e as t-shirts, da maratona e da meia.

No domingo, o despertador toca às 4:30 (!!!???) para ir passear o canito e fazer uma digestão em movimento do ligeiro pequeno almoço, depois por volta das 5:00 arrancar para Lisboa e deixar o carro no sitio do costume, em frente ao teatro S. Luis no Chiado, descer a Rua do Alecrim e apanhar o comboio das 6:00 para Cascais. Já ia bastante cheio de corredores, ouviam-se sotaques americanos, alemães, franceses, ingleses, espanhóis, português do Brasil e claro os de Portugal, a Rua "direita" de Cascais estava repleta de gente.  No local de partida de partida ainda se davam os últimos toques na logística e faziam-se os últimos testes de som.

Quando estava a dar os meus últimos toques na "maquilhagem", vem um simpático maratonista ter comigo e pergunta se eu sou o Nuno Cabeça, que mesmo com a máscara me tinha reconhecido e que é seguidor do blog há muito tempo - vim depois a pesquisar que era o amigo João Ricardo, que de vez em quando aqui comenta e me disse para postar mais vezes... falámos sobre o tempo alvo e desejámos boas provas.

Depois segui para o bloco de sub 4horas, aguardamos um pouco e é dada a partida. Objectivo dos primeiros 5K, ir bastante lento e não entrar em entusiasmos, até deixei o "balão" das 4h ganhar muito avanço, o Álvaro Pinto passa por mim e dá-me força, e eu digo que os motores ainda estão a aquecer. O dia estava perfeito para correr uma maratona neste percurso, tempo encoberto, mesmo nevoeiro com alguma chuva miudinha, e sem vento, até na zona do Guincho que é famosa por ele. Depois de passar os 5K começo a  aumentar mais o ritmo, passo o tal "balão", passo o Tigre, passo o Álvaro ali depois dos 10K, tomo o meu primeiro gel, e lá vamos pela marginal, ali por volta dos 17 km em S. Pedro do Estoril estava o Bento, de bicicleta e a tentar furar os bloqueios e ainda demos uns dedos de conversa e ele bastante apoio, passámos a meia-maratona, eu tomei o meu segundo gel e o Bento ficou logo a seguir a Carcavelos. Eu vou seguindo na minha margem de ritmos, passamos no passeio marítimo entre Caxias e a Cruz Quebrada e após a passagem no túnel debaixo do caminho de ferro, sentiu-se a primeira zona de verdadeiro apoio, com muita gente a gritar e a aplaudir. Eu durante toda a minha prova tentei agradecer todo o apoio que nos era dado, e muitas caras  iam-se repetindo ao longo do percurso. Depois de tomar o meu último gel e passar a marca dos 32 km, tenho "ordens" para soltar os cavalos e ver o que dá... começo a passar pessoal que bateu em muros, que levou com a marreta do homem. Durante a prova vi muitos estrangeiros de muitas nacionalidades, tal como tinha verificado no comboio, mas acho que havia um grande contingente da Dinamarca. Na Av. 24 de Julho ainda passei pelo amigo João Ricardo, pedi desculpa por não o acompanhar para tinha que manter as rotações no mesmo nível, as pernas é claro que já sentiam os quilómetros mas como podem ver na imagem abaixo, foi uma prova em crescendo, o que numa maratona é sempre saboroso. Após o "pavet" da Av. Ribeira das Naus, e já na Praça do Comércio, sente-se o apoio do muito público e após passar pelo Arco da Rua Augusta alcançamos o Triunfo de mais uma maratona concluída, em crescendo e com boas sensações.


Depois foi recuperar, almoçar e dormir uma boa sesta, e ficar a pensar quando vai ser a próxima.

Aqui fica o registo do Strava.

Abraços e boas Corridas!


terça-feira, setembro 28, 2021

Memorial Francisco Lázaro - 10K

Foi em memória do mártir português da maratona - Francisco Lázaro - que se realizou a XIV corrida de 10 Km, com partida e chegada no estádio com o nome do malogrado maratonista de Benfica, local pertencente a uma das agremiações mais antigas da cidade de Lisboa o Club de Football Benfica, carinhosamente conhecido por "FóFó", fundado em 1895.


Esta prova estava inicialmente marcada para Junho, mas como os números da pandemia começaram a subir, foi adiada para o passado sábado, com um horário mais fresco de final de dia - 18:30. Apanhou-me numa altura em que não me daria muito jeito provas curtas de 10 km, mas de manhã fiz a minha voltinha de uma hora para acrescentar quilómetros ao dia.

Olhando para o perfil da prova e conhecendo a zona, parecia ser uma prova com a a primeira metade a subir (zona de monsanto) e os segundos 5K a descer, por isso tive uma abordagem conservadora , mas durante a prova fui-me sentindo bem e nem parecia ser tanto a subir, apenas uma rampa antes do retorno deu realmente para sentir inclinação, depois foi sempre a descer, após recuperar a energia, consegui meter um bom ritmo e até fiquei bastante surpreendido e contente com o resultado final a bater os 46 minutos por um segundo - resultado líquido 45:59 - nem em sonhos pensaria fazer um tempo destes, pelos sinais que tenho tido nos treinos. 

 

A prova teve cerca de 350 participantes e a partida já foi em modo desconfinado, em massa. Na minha opinião correu tudo bem, excepto algum atraso na partida devido a cortes de trânsito a efectuar pela PSP. Outro ponto positivo que gostaria de salientar é a inscrição "light" sem direito a t-shirt que permite ter um custo mais reduzido na inscrição e um pouco menos de impacto para o ambiente.

Aqui está o registo no Strava: 

Agora tenho mais um ou dois longões até à Maratona de Lisboa no próximo dia 17 de Outubro.

Abraços e boas corridas!


segunda-feira, setembro 13, 2021

Corrida do Centenário - FPA

Ontem foi o regresso às provas depois da Corrida da Árvore em 20 de Junho, fui participar na Corrida do Centenário da Federação Portuguesa de Atletismo.

Tratou-se de uma prova com 10 km de distância com partida e chegada no Estádio Nacional no Jamor, viragem à direita até Caxias e retorno pela marginal até Algés e regresso ao local da partida.


 

Tenho andado a treinar mais a sério desde meados de Agosto com o objectivo da Maratona de Lisboa, tenho feito semanas superiores a 80km e aproveitei esta semana para aliviar um pouco a carga.

Pelos testes que tenho feito, as perspectivas não eram nada de especial, tendo previsto mesmo, não ficar muito além das outras provas de 10K que fiz este ano (Lezírias e Árvore), ou seja mais a pender para os 50 min do que para os 45 min.

Senti-me "normal" ao partir em massa sem as vagas, sinal que estamos a pouco e a regressar ao mundo anterior. Na descida tive que abrandar para não entrar em entusiasmos e depois vir a pagar mais tarde, atingi o ritmo que pretendia e tentei manter até aos 5K, a ideia era libertar mais as pernas a partir desse ponto mas temperatura abafada e a humidade não deixaram aumentar muito mais, sendo assim, deixei-me ir e já a pensar na subida final com cerca de 500m onde o ritmo iria ser sacrificado, assim foi e acabo com boas sensações e quase precisamente com o os mesmo tempos das últimas provas - 49m55s

Está aqui o registo do Strava:

 Agora é continuar a treinar e aproveitar mais uma prova para descansar dos treinos.

Um abraço e Boas corridas,

terça-feira, julho 27, 2021

Corrida do Tejo 2021

Nestes tempos de pandemia, fico sempre contente quando vejo a realização de uma nova prova de corrida.
Fui logo a correr fazer a minha inscrição, mas resolvi que não me iria inscrever porque encontrei muitas coisas com as quais não concordo.
Não me choca que uma organização defina as suas regras, e que coloque como exigência se o participante tomou um determinado medicamento para estar protegido relativamente a uma determinada doença, ou então que já tenha tido essa doença e esteja também protegido, ou então que faça um teste a provar que não está com essa doença.
O que me chocou foi o formulário de inscrição (localizado num site de uma empresa de bilhetes online) que me obrigou a anexar uma cópia de um documento pessoal que refere se eu tomei um determinado medicamento, qual a marca, e em que data foi administrado ou então se estive doente e há quanto tempo. Também me pedem o meu número de utente do SNS.
Uma coisa seria dar o QRcode a ler no momento de levantamento do dorsal, outra é enviar uma cópia de um documento, que eu entendo como pessoal e com informações de âmbito privado, para uma entidade que eu não sei para que precisa desse documento nem sei o que irá fazer com o mesmo, relativamente ao número de utente do SNS também não sei qual será a intenção.

NOTA: a palavra "contacto" estar escrita como "contato" também ajudou à minha não inscrição na edição deste ano.
Vou partilhar esta minha preocupação por todos os meios ao meu alcance.
Abraço e boas corridas,

quinta-feira, junho 24, 2021

corrida da árvore - uma primeira vez

No passado domingo dia 20, tive a primeira partcipação numa prova que já vai na 26ª edição. É verdade nunca surgiu oportunidade de participar nesta corrida que normalmente se realizaria em Março, não tenho a certeza se coincide com as lezirias ou com a meia da ponte...

Sendo realizada no parque de monsanto em Lisboa, calcula-se que terá algumas subidas e descidas, por isso não preparei uma "vingança" muito grande relativamente à má prestação em Vila Franca de Xira. 

Inscrevi-me no "slot" mais cedo que estivesse disponível que foi às 9:20h, comecei com a maior contenção possível, mesmo a descer nos primeiros Km, tentei não me entusiasmar pois não conhecia o percurso e poderia precisar de "gas" para algumas subidas. Fui  sempre controlado e acabei por fazer um tempo parecido com as Lezirias mas desta vez sem sofrer e tendo uma prova equilibrada.

Relativamente à organização tudo 5 estrelas, respeitando as normas e com todos os cuidados.


Tenho visto alguns resumos de provas de triatlo e não vejo partidas em "slots", vejo sempre partidas em massa e com centenas de atletas. Alguém sabe porque é que têm regras diferentes?

Abraço e boas corridas!

terça-feira, junho 01, 2021

Corrida das Lezírias - o regresso


Em 2004, quando comecei na corrida e este blog, a minha primeira prova de corrida foi a Corrida das Lezírias, na altura com cerca de 14K, eu corria apenas há um mês e acho que tive bastante coragem em me aventurar numa coisa daquelas... (aqui o link para o post de 2004)
No passado sábado, dia 29 de Maio, tive mais uma primeira vez na Corrida das Lezírias. Passados cerca de um ano e meio de confinamentos e adiamentos e coisas virtuais, a Câmara Municipal de V. F. de Xira e a empresa Xistarca, tiveram a coragem de realizar uma prova com as restrições / recomendações existentes durante esta pandemia. Eu inscrevi-me logo que recebi a publicidade do evento, a vontade não me faltava, a forma está mais para a de "barril" do que para o "baril", não tem havido grandes cuidados diététicos, os treinos foram continuando, mas sem objectivos não há motivação, e não passavam de rodagem em ritmo de jogging. Após a inscrição, tentei fazer uns treinos mais ritmados mas nada de especial.
As partidas estavam organizadas entre sábado e domingo, o escalão 50/54 calhou no sábado com partida às 15:30, cada escalão tinha um número máximo de 200 participantes e as partidas foram em mini slots de 4 participantes, partindo de 5 em 5 segundos. Eu inscrevi-me para fazer sub 50 min. e coloquei-me na minha zona, chegado perto da partida tirei a máscara e arranquei, estavam quase 30 graus e o piso de terra batida secava muito a boca, ao primeiro km quando olho para o relógio estou abaixo de 4:20/km e logo começo a reduzir pois assim nem para 3.000m daria... e como se pode ver pelo gráfico abaixo, foi sempre a descer o ritmo em escadinha. Quando passo pelos 5km até senti algo que já não sentia há muito tempo - "dor de burro", mas com o segundo abastecimento e já em ritmo de cruzeiro, acabei por recuperar. Na zona ao lado do rio, apesar de o vento estar ligeiramente contra, as sensações permitiram restabelecer um pouco o ritmo pois dava uma sensação térmica mais agradável. Assim ainda fiz duas ou 3 ultrapassagens e acabei a bater mesmo nos 50 minutos de prova. (as fotos são do facebook da xistarca)



O balanço - a falta de preparação paga-se caro.
As desculpas - o horário, o calor, a vacina covid tomada no dia anterior.
O que me deixa triste - ter levado a familia para assistir a este regresso às provas e tal não ser possível, tive que voltar para trás para deixar a minha mulher e as minhas filhas em Vila Franca, à descoberta do desconhecido, sozinhas...
O que poderia ter corrido melhor - este ponto que referi acima, bem estar fisico, psicológico e social, também é estarmos com a nossa família a apoiar, principalmente quando o espaço é amplo, arejado e permite a cada um cumprir as regras...
Organização -  Mais uma vez, ponto que refiro acima, não posso acusar a organização, mas posso acusar quem faz recomendações que não fazem sentido, como não deixar pais assistirem aos jogos dos seus filhos, sendo que à mesma hora cidadãos do Reino Unido se "esfregavam" à vontade na cidade do Porto.
Ainda pensei que tão depressa não voltaria a fazer uma experiência destas, mas vou fazer mais uma tentativa na Corrida da Árvore em Monsanto...
Boas corridas! 

 

quinta-feira, dezembro 31, 2020

Post virtual de fim de um ano quase virtual

Este inesquecível ano de 2020 só não foi completamente virtual em termos de corrida porque a pandemia só foi declarada em Março, até lá tive o meu momento mais alto e mais longo no Trail dos Abutres.

As organizações de corrida ficaram sem saber o que fazer e resolveram criar “corridas virtuais” – que não passam de virtuais - é só “pegar” num registo de um treino naquela distância, de uma plataforma de treinos tipo strava, e enviar esse link para a organização e está feita a participação na tal prova, sem classificação e sem controlo… a mim não me faz nenhum sentido nem me motiva.

Ainda só houve uma tentativa de prova sem ser trail - uma corrida no Jamor (Estádio Nacional) - nem sei se mais alguma organização pensou em fazer algo parecido com uma prova. Vamos ver como vai ser no ano 1 da nova década de outras coisas.

Eu ainda me mantive com vontade até ao verão, desde setembro, com o início das aulas das miúdas, tenho vindo a reduzir o volume das minhas corridas e então quando mudou a hora ainda menos motivação tinha. Mas ainda tive 241 dias activo e fiz “só” menos 400km que em 2019.

Não sei como vai ser o ano Bazuca 1, sei que algumas inscrições passaram para lá, mas não acredito muito que a motivação me apareça para treinar para alguma coisa não virtual.

Os meus desejos para 2021 são muita felicidade, alegria e principalmente saúde (na sua componente principal de completo bem-estar físico, psicológico e social) também espero que desapareçam todos os cadeados em parques infantis… 

Abraços e boas corridas,